Sábado, 29 de Março de 2008

Em apuros

Um garoto de 16 anos matou 6 pessoas em Novo Hamburgo. O caso suscita as mais variadas opiniões, e faz despertar o misto de indignação e perplexidade decorrentes da nossa impotência perante a violência cotidiana que assola este país. Este caso, sem dúvida, é terrível.

Porém, ainda mais alarmante é a opinião de alguém supostamente "esclarecido", como o Promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim, que ao Jornal NH declarou o seguinte: "Ele é uma prova de que o crime, muitas vezes, tem fatores biológicos. O sujeito nasce ruim e isso deveria ser provado com o estudo do cérebro desse tipo de pessoa."

É impressionante a leviandade desse pronunciamento. O próprio ato de fala do Promotor revela o seu pensamento totalitário: ele não está interessado em descobrir a verdade, em descobrir como é a realidade de fato. Isso percebe-se claramente pela expressão "...isso deveria ser provado...". O autor de um disparate desses não está preocupado em saber se o fato PODE ou não ser provado: ele QUER que seja provado. Ele está deixando transparecer a sua vontade de como deveria funcionar o mundo. Ele deseja que o crime seja reduzido a um ou dois cromossomos ruins, para que assim fique mais fácil de lidar com ele: descobre-se desde cedo quem está predestinado a ser um criminoso, e isola-se o futuro infrator.

Quem conhece a sangrenta história do século XX sabe bem aonde leva este tipo de pensamento: a Hitler, Stalin, Mussolini, Mao e seus genocídios em massa. Querer reduzir o homem meramente a sua esfera biológica é transformá-lo numa besta e justamente arrancar dele algo que o difere dos demais animais: a possibilidade de fazer uma escolha moral. A capacidade de transcender as limitações impostas pelo seu corpo e pelo ambiente em que se encontra.

Pior do que sofrermos a agressão de um jovem que, por motivos que ainda não compreendemos, se desviou do reto caminho, é saber que temos pessoas com opiniões não só completamente infundadas, mas também historicamente perigosas, ocupando cargos como uma Promotoria de Justiça. Aí sim, estamos em apuros.

1 comentários:

Anônimo disse...

Se esse cara fosse policial, prendia pra depois procurar nos códigos qual a qualificação do crime....

e se não tivesse crime, inventava...

pra evitar esse transtorno, os policias que têm essa mentalidade andam sempre com um saco de maconha à mão.

essa prática na mão de um macaco desses pode gerar muita injustiça.

quem ele pensa que é pra 'mandar' a ci~encia provar algo?

ele promove o que mesmo? justiça?
pensei que era baile.

Google