Que época melhor do que o Dia da Terra para refletir sobre algumas das calamidades que nós humanos temos presenciado acerca do meio-ambiente e de nós mesmos. Seria bom lembrar que até mesmo a melhor das intenções pode revelar-se mortal, quando, na nossa preocupação com precaução, deixamos de contemplar as consequências imprevistas de nossos atos.
Milhões de hectares de florestas tropicais estão rapidamente desaparecendo na América do Sul, na Ásia e noutros lugares assim que fazendeiros conseguem limpar os terrenos para o cultivo. Entre os culpados está o subsídio governamental do etanol à base de milho - um suposto antídoto para as alterações climáticas. US$5 bilhões de dólares em subsídios são esperados para este ano, que está levando agricultores americanos a dedicar mais terreno para milho no lugar da soja. Por conseguinte, suas contrapartes em todo o mundo estão limpando a superfície para capitalizar maiores preços para as culturas deslocadas.
A cada 30 segundos, uma criança em alguma parte do mundo morre de malária, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Embora seja um tanto evitável e tratável, a doença consome com mais de um milhão de vidas por ano. O principal meio de prevenção é o controle dos mosquitos transmissores da doença. De 12 pesticidas recomendados, o DDT (dicloro-difenil-tricloroetano) é o mais reconhecido amplamente como sendo eficiente. Mas as alegações errôneas sobre a toxicidade do DDT no livro de Rachel Carson Silent Spring levou, em 1972, a Agência de Proteção Ambiental americana a proibir o pesticida, precipitando a suspensão de pulverização em dezenas de países -- e as mortes de dezenas de milhões de pessoas.
Dezenas de milhares de motoristas e passageiros têm perecido em colisões por causa das normas de economia de combustível. Especificamente, os mandatos governamentais para melhorar a eficiência do combustível levaram fabricantes de automóveis a produzir carros pequenos com materiais mais leves como plástico, alumínio e fibra de vidro. Mas uma redução de 230 quilogramas no peso do veículo aumentam as mortes em colisões entre 14 e 27 por cento anualmente, de acordo com a Universidade de Harvard e o Instituto Brookings, entre outros. Além disso, veículos com peso inferior a 1000 kg contabilizam duas vezes e meia mais vítimas mortais do que veículos utilitários esportivos pesando 2000 kg ou mais, de acordo com o Institute para Segurança nas Estradas.
Um surto de cólera na América Latina matou mais de 10 mil pessoas e deixou até um milhão de outras infectadas após o governo do Peru ter limitado a cloração das fontes de abastecimento público de água -- como exigido pelo Greenpeace e outros ativistas ambientais. A guerra contra o cloro nos Estados Unidos foi estimulada pela Agência de Proteção Ambiental, que erroneamente associou a cloração da água com um aumento do risco de câncer.
Milhares de toneladas de maçãs foram deixadas a se degradar e pomares foram perdidos para cumprir as recomendações de relatórios que Alar, um agente comum de amadurecimento da fruta, foi o mais potente causador de câncer composto no abastecimento familiar. O Conselho Americano de Ciência e Saúde posteriormente revelou que uma criança teria de beber 18000 litros de sumo de maçã todos os dias para o resto de sua vida para consumir a mesma quantidade de Alar dados a ratos durante testes para o câncer.
Além destes erros trágicos, louváveis progressos foram feitos na melhoria da qualidade ambiental. Mas não basta simplesmente dizer que junto do bom vem o ruim. Os erros de cálculos que custaram tantas vidas eram totalmente previsíveis e totalmente evitáveis. O valor que nos oferecem neste Dia da Terra é como um lembrete para rejeitarmos fanatismos e procurarmos por uma boa ciência na política ambiental; para rejeitarmos o alarmismo e exigirmos fatos nos meios de comunicação, e para resistirmos à noção de que o controle governamental dos recursos naturais é necessariamente mais vantajoso do que o livre exercício dos direitos de propriedade e o direito comum de proteger as belezas naturais que nos são tão valiosas.
-- Diane Katz é diretora de risco, ambiente, e estudos de política de energia no Instituto Fraser.
Notas:
[1] Tradução: Marcos Ludwig.
Artigo originalmente em inglês: Unintended Global Consequences, publicado em 22/04/2008 no blog Planet Gore do site National Review Online [ Leia o original aqui. ]



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